O mundo da fotografia é mágico. Reflexivo, intenso…como sempre IMAGINEI. Vc se depara com pessoas que te mostram realidades inimagináveis. Pessoas com as quais você aprende bem mais do que em anos de bancos escolares.
Eu estava na Isländia quando ele me contactou. E me disse que admirava meus trabalhos em fotografia. Falou que minhas fotos têm vida, cor, luz e sao intensas…e que leva qualquer pessoa a sonhar… E combinamos de nos encontrar e, eu fazer o retrato dele. Mas que ele me enviasse algumas fotos feitas por outros fotógrafos. Ele enviou e eu falei:
Olha, nao tem nada a ver com meu trabalho. Nao faco preto e branco. Mas…em uma das fotos, você está sentado numa cadeira de rodas…O que aconteceu?Você pode falar sobre?
Sim…ele falou…Em 1997, ele sofreu um acidente de carro, em Bucareste, na Romênia, onde nasceu. Ficou 3 meses em coma e ficou paraplégico. 6 anos depois, quando participava dos jogos paraolímpicos, eis que ele quebra as duas pernas…e a vida dar uma nova guinada. Depois desse segundo acontecimento, ele decidiu viver a vida de forma intensa… Largou, já no primeiro acidente, a relacao com a esposa. Nao por falta de amor – ele deixou claro. Mas, por que ele precisava provar para ele mesmo que podia viver sozinho. Ele queria se superar…
E superou…E foi esse homem que eu encontrei…E me deixou de queixo caído e…como disse hoje a uma amiga, esta manha, via MSN, envergonhada…por que faco tempestade em copo dágua, quando deveria levantar as maos aos céus e dizer: EU SOU UMA PRIVILEGIADA!
E, esse encontro me mostrou, o quanto somos preconceituosos. Achamos que um deficiente nao é capaz de nada. Ledo engano. O romeno Mugur é a superacao em forma de 1,80 de altura.
Ele é de uma sensibilidade rara….Perde minutos observando as borboletas pululando, esfomeadas, em cima de duas bandas de laranja. Me mostrou abelhas nascendo…as crisálidas…que nao pensei existir…Orquídeas sem fim…Nenhum efeito foi usado sobre as fotos dele..É que no local das fotos, foi criado uma mini-floresta tropical, para que as borboletas possam sobreviver. E a temperatura embaca as lentes da câmera.
O que nao embacou foi a minha capacidade de aprender com ele. Claro que os valores dele sao, totalmente, diferentes. Ele pensa numa vida sem preconceito. Onde possamos ver a crianca que chora como retrato do que fomos um dia; que vejamos o idoso como a antecipacao do que viveremos, futuramente, que entendemos que, o homossexual tem todo o direito de viver a vida que ele escolher para si. Inclusive, amar um igual a ele. SOMOS MUITO PRECONCEITUOSOS! Por quê somos? Porque somos incapazes de aceitar o OUTRO COMO ELE É!
Mas, talvez, isso se dê por que, de fato, queremos, exigimos muito da vida! E, muitas vezes, o que buscamos incansavelmente, pode nos vir de maos beijadas….de forma simplesmente…LÚDICA! A vida tem me mostrado…que NADA SEI, NADA SOU!Mas que, ainda tenho a capacidade de ter a coragem de viver meus sonhos. Mesmo que esses sonhos, nem sempre sejam os mesmos…de antigamente…E cujos sonhos, eu só consiga revelar para quem eu creia ser uma amiga. E, nesse cnontro de ontem, eu ouvi a frase:
GRACE, NAO IMPORTA O QUE NOS FALE. NÓS PRECISAMOS OUVIR A VOZ DO CORACAO…ESSA, SIM!PODE NOS LEVAR AO INFINITO. SE NAO, DO MUNDO, MAS DE NÓS MESMOS!
Se eu tivesse que defini-lo numa música, seria essa abaixo:
Local das fotos: FJÄRILSHUSET, localizado no HAGAPARK, em Estocolmo.




















Livro: 

by Grace Olsson
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