Nos vemos tomado por um sentimento de felicidade. Mas também de vazio…como se uma asinha presa em nossas costas tivesse se soltado, alcado vôo para terras longínquas mesmo que ela vá viver distante de nós, apenas 1 km.
Creio que meus pais devem ter sentido o mesmo. Mas se sentiram nunca deixaram transparecer. Diferente dos meus pais que nunca estiveram presentes em meu casamento – minha mae já se encontrava doente quando casei pela primeira vez -eu vivi o casamento da minha filha como se eu estivesse no lugar dela. E tenho a sensacao de que a euforia dela nao foi fruto apenas de querer a festa organizada. Em alguns momentos da cerimônia, esqueci a câmera e fiquei fitando o rosto dela. Ela estava serena, linda, compenetrada naquele que compartilhará da vida dela de forma mais próxima. Ela estava nervosa, eu sei. Mas nada que a fizesse ficar com o semblante sombrio, estressado. Ela parecia está vivendo um mundo muito particular, só dela. Um mundo em que nunca pensara viver. Até o dia em que se deparou com o marido.
O ano foi 2007. Ele fora nos visitar no Brasil com a companheira à tiracolo. Ao desembarcar no aeroporto e dado de cara com Allana, ele descobriu que diante dele estava aquela com quem ele sonhara casar. Ficamos, na época, numa saia justa. Afinal de contas, ele estava com uma mulher do lado. Ele se declarou dias depois, mas Allana nao quis conversa: “viva sua vida e se um dia estiver sozinho e der para nós dois, aí sim, conversaremos”. Foi assim que tudo comecou.
Meu coracao de mae sempre dizia que aquele encontro daria em casamento. Apesar de todo mundo discordar.O resultado foi que eles casaram mesmo na tarde chuvosa do último sábado.
Relâmpagos e trovöes cobriram o céu da cidadezinha sueca onde o noivo e grande parte dos convidados nasceram. A noiva desceu do carro debaixo de chuva. A chuva verdadeira e nao de arroz. Arroz esse que nenhum efeito fez. Ela entrou no castelo e uma lágrima rolou pela face.Ela estava iluminada.
Lá dentro da Capela, a cerimônia que vi nao lembrava nada do Brasil. O padre fez sermao lembrando dos dois países. Nao houve beijo e nem a fatídica pergunta: ” se algém tiver algo que fale agora ou cale para sempre…”. As aliancas estavam no bolso da calca de um dos amigos do noivo. Nesse momento, a mae da noiva estava em acao…como mae. E nao como fotógrafa.
É tradicao sueca o BESTMAN(no casamento teve 3 bestmen) do noivo carregar a alianca. Sem nenhum romantismo, diga-se de passagem. No altar ficaram os noivos, os 3 amigos, o padre e uma amiga da noiva(que poderia ser até 3). A noiva foi entregue ao noivo pelas maos do pai e do padrasto(neste caso, também sogro) ao som de uma música tocada por um grupo tradicional sueco(os 4 estavam vestidos à caráter). No meio da cerimônia, o padre pediu que os noivos dessem a frente aos convidados para ouvirem uma música.
Foi muito emocionante e muita gente chorou. Os homens da família, inclusive. Prova de que o casamento nao morreu. E ainda mexe com as emocoes humanas.
A recepcao ocorreu no BARKARÖ BYGDGÅRD e só comecou depois que o cerimonialista( O padrasto do noivo.) avisou que todos poderiam entrar. Isso só se deu depois que os noivos chegaram da Igreja. Enquanto isso, os convidados esperaram fora, protegidos por uma tenda e sendo servido por uma bebida brasileira: caipirinha. Na entrada do local da recepcao, tinha um quadro com a localizacao de cada convidado. Ou seja, onde cada um vai sentar. Os noivos e as respectivas famílias entram por último. Em cada mesa, tinha o nome do convidado. Sendo homem, uma gravata com o nome, balas enroladas numa fita com os nomes dos noivos. Sendo mulher, um vestido e os motivos iguais.
Um ritual interessante acontece. Primeiro, sao apresentados a todos, os familiares de primeiro grau dos noivos, tais como pai, mae, irmaos. Estes ficam na mesa de frente com os demais. Justamente, para serem fotografados junto aos noivos. Este é o momento em que toda a familia estará reunida. Depois, ficam de pé quem conhece o noivo de longa data. E eles falam partes divertidas da vida do noivo.A seguir, os familiares de segundo grau dos noivos, onde cada UM diz que grau de parentesco tem. Enfim, é servido uma entrada com drinks e canapés. Dar-se uma pausa. LOgo em seguida, vem o pai da noiva e dar sua mensagem. Depois, o pai do noivo que falou como ele se sentia ao ter uma nora em família. Este relembrou o início do relacionamento do casal. Por último, veio o irmao da noiva. Este, fez o discurso em português e sueco. E traduziu o que o pai da noiva falou já que ele nao fala o idioma. Neste momento, senti orgulho do meu filho que fala fluentemente a língua sueca.
Após veio a tia e o primo do noivo(este foi quem pajeou a noiva o tempo todo) e cantaram um poema romântico e foram acompanhados por todos.

Logo em seguida, foi servido o jantar. E por último, veio a mae do noivo e mostrou algo que eu nao conhecia. Um coracao com os nomes dos noivos e varias velas ao redor como símbolo de cada convidado. Antes de cada vela ser posta no coracao, ela ficou na mesa, na frente de cada convidado. Nesse caso, apenas 24 velas por que seria impossivel ter um coracao com 65 velas. O coracao foi aceso e a noiva apagou as velas. Logo em seguida, teve a segunda parte do estourar dos sacos….(risos). Tradicao aqui, cada convidado(menos a familia) receber um saco e sopra…depois estourando.Faz um barulho terrível.
Toda decoracao do ambiente foi feita em cores branca e lilás. O bolo, idem. No Brasil, tem todo um cerimonial do cortar o bolo. Aqui, é algo simples. O bolo é a sobremesa do jantar.Os noivos cortam o bolo, e cada um pega uma fatia e se dirige à mesa. Logo em seguida, os garcons servem na mesa de cada um, uma fatia do bolo. O buquet?Nao é jogado, nao. O buquet fica com a noiva que usará um produto e deixará secar as flores. Ficará como recordacao e sinal de que o amor sobrevive ao tempo.
Por fim, tem a valsa. Nessa hora, entra a tradicao moderna. As mesas sao retiradas e o local se transforma em boate. A noiva danca a primeira valsa com o noivo, depois o pai e depois o sogro. O que vem depois é uma danca que só termina na madrugada. Vale salientar que, aqui, os convites sao enviados e quem disser SIM aos noivos, estará no casamento. Foram 65 pessoas. Cada umA levou para casa uma caixinha com balas degustáveis e um “bem casado”.
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