
Muita gente me escreveu querendo saber como eu consegui publicar o livro sobre os Refugiados. Por meses sem fim, eu recebi propostas de Editoras com grandes nomes no mercado editorial. Além de parcerias. Mas todas elas alegavam que por eu nao ter um nome eu teria que pagar para publicar e, além disso, teria que dar os direitos sobre a publicacao. Eles alegavam que nao sabiam se o livro faria sucesso ou nao. E eu nao aceitei.
Por que vejam se teria lógica: se eu queria publicar para, com parte do dinheiro, ajudar alguns deles, por quê eu teria que gastar, tirar dinheiro do meu bolso? E ter que abrir mao de tudo? Näao seria mais fácil eu enviar o dinheiro aos refugiados? Ainda teria que ir ao Brasil, receber os livros e ter que vendê-los, pois a maioria alegava que eu seria responsável por tudo. NAO HAVIA CONFIANCA DA MINHA PARTE. E se eu nao confio, nao invisto. Essa premissa VALE PARA TUDO NA MINHA VIDA.
Até que recebi o patrocínio da LIMPEL. A mesma empresa que me ajudou com material escolar para as criancas refugiadas. Depois de conversar com amigos blogueiros(foram muitos a quem eu consultei e muitos deles me ajudaram com as idéias da capa (TZAUM) e textos(Maristela Bairros), além das amigas que trocam emails diários comigo e sem elas meu livro nao teria saido e nao foi à toa que eu agradeci no livro aos amigos BLOGUEIROS. Ainda tem pessoas que sempre me disseram: ” Grace, insista, vai em frente…”, e mencionar nomes seria cometer injusticas. Poderei esquecer algum.
Desta forma , decidi publicar pela EDITORA NOVITAS, uma EDITORA nova, pouco conhecida mas que me deu suporte em tudo. Confiei tanto neles que nos últimos dias, eles ficaram encarregados de decidirem sozinhos, pois eu precisei viajar e fiquei sem internet.
A contra capa do meu livro é da autoria do fotógrafo e jornalista da Revista ÉPOCA, Haroldo Castro. Nosso encontro se deu quando ele me convidou para visitar a Líbia, na África. A viagem nao vingou mas a amizade permaneceu. Ele é o autor da palavra VIAJOLOGIA e vale a pena lê-lo no blog da Revista. Haroldo Castro conhece como ninguém o Continente africano. Ele que já foi várias vezes e acabou de chegar do Quênia.
A apresentacao ficou por conta da Irmã Rosita Milesi, Advogada, Membro da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos (Scalabriniana), Mestre em Migrações, Diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), membro da Equipe interdisciplinar do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios. E detentora de toda uma vida dedicada àqueles que nao tiveram chances de sobrevivência e sao vítimas de catástrofes naturais ou oriundas da ganância do homem. Ela vive, única e exclusivamente, para a causa dos Refugiados. E escreveu:
“Ainda mais grave é a situação de crianças e adolescentes: por serem seres em desenvolvimento, eles pagam em dobro os traumas da perda de familiares e dos referenciais identitários básicos para o próprio crescimento saudável. São pessoas frequentemente condenadas a renunciar aos próprios sonhos e conviver com constantes pesadelos.
Grace Olsson, neste texto, a partir de pesquisa bibliográfica e, sobretudo, da experiência direta no Campo de refugiados de Maratane em Moçambique, busca “des-mascarar” – no sentido etimológico de tirar a máscara – a realidade dramática de milhares de refugiados e refugiadas, focando seu olhar e atenção às crianças. A grande riqueza deste livro é o olhar, a perspectiva que olha os refugiados não como simples objetos de estatísticas e pesquisas, mas enquanto seres humanos e sujeitos de direitos.
A escolha das crianças e adolescentes como foco específico revela uma evidente opção pelos segmentos mais frágeis entre os refugiados que, por sua vez, podem ser corretamente considerados como os mais vulneráveis entre os vulneráveis. (…)
Para mim, que convivi com os refugiados, da mesma forma que com os favelados de Alagoas, descobri que
” Sonhar, para a criança refugiada é um verbo conjugado sempre no presente de forma dúbia e embaçada de cenas em preto e branco e com as cores do arco-íris que somente as mentes infantis são capazes de criar. Se navegar é preciso no mundo dos adultos, no mundo infantil da criança refugiada, SONHAR é o melhor remédio para a cura de males que um dia, quiçá, deverão ficar para trás”
* O livro Crianças Refugiadas em Moçambique: Um drama na África custa R$ 22,00 e pode ser adquirido pelo e-mail: contato@editoranovitas.com.br. Mas esse livro nao é apenas meu. É de todos nós. De todos que um dia, em 2006, decidiram comprar um bilhete de uma rifa de um anel, uma escultura cuja renda seria revertida aos refugiados. Foram 65 blogueiros que compraram bilhetes. A todos eles, eu agradeco muito. E hoje, mais uma vez, eu tiro o chapéu para os blogueiros que decidiram comprar o livro. E para aqueles que pegaram o selinho do livro e colou na SIDEBAR. Vocês sao mais donos do livro do que eu mesma. Por que vocês acreditaram nele.
Duas semanas atrás, eu recebi um telefonema de um gerente do banco de Mocambique. Ele me falava que se encontrava na agência uma refugiada com o meu número de telefone. Do outro lado da linha, Sangwa, uma menina rwandesa, dizia apenas:
-Tia, quando você vem nos ver?
e eu disse:
-Quando vender o livro que estou publicando e com o dinheiro eu possa tirar você e os irmaos de dentro do Campo de Refugiados. Até lá, vamos contar com a sorte. Mas enquanto isso nao acontece, eu enviarei a ajuda financeira para esse mesmo banco.
Pode ser que isso nao tenha importância para muita gente. POde ser que achem 22 reais pouco valor para retirar uma familia de uma área sofrida como um Campo de Refugiados. Mas parto do princípio de que muita gente compre meu livro e juntos possamos fazer a diferenca.
ACREDITEM! A VIDA DESSAS CRIANCAS DEPENDE DE TODOS NÓS. COMPRE O LIVRO. NAO POR MIM. A CAUSA DOS REFUGIADOS PRECISA SER DIVULGADA, CONHECIDA E DESMISTIFICADA.
Esse livro é resultado de pesquisas, vivência e momentos que compartilhei com os refugiados em Mocambique. É de leitura fácil e suave.Vale a pena comprar e ler.
Livro: 





















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