Meu filho costuma me perguntar sempre: “mae, você vai ser fotógrafa de nus?” Claro que para ele que tem apenas 15 anos tudo é sinal de nudez. Mas eu gostaria mesmo era de ter sempre a oportunidade de mostrar a mulher com sensibilidade, sem essa de expor o corpo. Com poesia, maestria e beleza. E desta forma, eu mostro algumas fotos que fiz em Portugal. Algumas por que as demais ainda nao posso mostrar.

Nada melhor do que os versos de Vinicius de Morais para definir o jeito suave e sensível da mulher.
“(…)
Eis que se anuncia de modo sumamente grave
A vinda da mulher amada, de cuja fragrância
já me chega o rastro.

É ela uma menina, parece de plumas
E seu canto inaudível acompanha desde muito a migração dos
ventos
Empós meu canto. É ela uma menina.
Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarina
Que para mim caminha em pontas, os braços suplicantes
Do meu amor em solidão. Sim, eis que os arautos
Da descrença começam a encapuçar-se em negros mantos
Para cantar seus réquiens e os falsos profetas
A ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras.
Mas nada a detém; ela avança, rigorosa
Em rodopios nítidos
Criando vácuos onde morrem as aves.
Seu corpo, pouco a pouco
Abre-se em pétalas… Ei-la que vem vindo
Como uma escura rosa voltejante
Surgida de um jardim imenso em trevas.

Ela vem vindo… Desnudai-me, aversos!
Lavai-me, chuvas! Enxugai-me, ventos!
Alvoroçai-me, auroras nascituras!
Eis que chega de longe, como a estrela
De longe, como o tempo
A minha amada última!”

Toda vez que eu vou a Portugal, sempre ei de encontrar algo além do que imaginava ter o direito de viver. E desta vez a minha maior surpresa foi encontrar e conviver com o fotógrafo português Daniel Pedrogam. Uma das almas mais generosas que encontrei em toda a minha vida(e olha que já conheci muita gente mundo afora). Ele é um pouco homem, pouco menino. Pouco gênio, pouco anjo. POuco adulto, pouco crianca. Ele é um misto de docilidade explícita com uma pitada de humor escancarado. Ele é, simplesmente, um gênio no photoshop. Mas é algo além disso, também: ele é humilde de gestos e acoes. Companheiro, amável, carinhoso. Doce e suave como a brisa do Rio TEJO. Sensível como os trigos do Alentejo ao tocar na pele cansada de drigir mais de 150 km para captar algumas fotos.

Daniel é algo inexplicável. Nos dias em que fiquei em Portugal, ele esteve o tempo todo solícito. E mesmo que lá nada tivesse feito, já teria valido a pena. Ter um encontro com alguém como ele é um prazer. Ou mais que isso…é uma dádiva.

P.S.:eu vou ficar alguns dias afastada da blogosfera. E se nao visitar ninguém, desculpas pedirei desde já. É que se aproxima o casamento da minha filha, meu filho está vindo para a Suécia dia 6(depois de quase um ano sem vê-lo e de chorar noites sem fim com saudades dele), tenho fotos de uma bebê para fazer, as fotos de Portugal para tratar, estúdio para montar e testar equipamentos. Além de organizar uma forma de está em vários lugares num mesmo dia, pois eu farei as fotos do casamento da filha. E tenho tumografia da cabeca para fazer, pois desde que voltei de Portugal que sinto dores intensas nos olhos. À África, eu só vou quando tiver vendido os livros e, junto com o dinheiro que venho guardando, eu possa fazer alguma coisa pelos refugiados.
Livro: 



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