Os dias por aqui têm sido de pleno desafio. Vivo entre um passado distante que me alegra e um presente que me entristece. Um passado recente que me dá calafrios e um tempo que se arrasta numa lentidao sem fim. Nao temos tido sol. Os dias acordam tarde para logo cedo mergulhar na escuridao. O frio causticante nao mexe com meu ser. As ciscunstâncias ao meu redor sao tao alvissareiras…Mas nao consigo visualizá-las.
Morei aqui, tempos atrás. Nada disso senti. Ah, sim. Mas antes eu nao tinha no curriculum um AVC cujas sequelas ainda estao bem expostas. Tento fingir que nada disso vive em mim. Mas a médica me disse esta manha que preciso lembrar disso sempre. E toda vem em que eu me achar fraca a tal ponto de nao vencer desafios é hora de me conscientizar dos resquícios desse mal.
Acordo num torpor inesperado. Vontade nenhuma tenho de fazer qualquer coisa. Creio que eu respiro por obra do Pai Maior.A cabeca confusa tem me levado á loucura. Fiz prova de inglês e respondi a dita cuja toda em sueco. Fiz a de sueco e respondi em inglês.
Esses fatos têm me conscientizado do quanto nós, seres humanos, somos nada. UM NADA no meio do NADA!Para quê o orgulho?Somos folha que cai…Independente de aceitarmos ou nao.
Quase 10 dias sem visitar ninguém. Sem telefonar, sem dizer o que se passa na mente. Por que o que se passa lá dentro, tenho receios que nao sejam coisas reais.Tenho meu trabalho, meus projetos, sonhos. Tudo. E feito furacao Katrina, essa ausência de sol destrói tudo. O conselho médico foi aumentar o suco de laranja, complementar com vitaminas para recompor o organismo que nao quer reagir.
Nesses quase 10 dias, relutei para entregar trabalhos.Ânimo tem me faltado. É impressionante! O marido me pergunta: “Grace, cadê o colorido de suas fotos?A sua coragem em pegar um aviao hoje à noite e acordar na África…Eu preferia ver você daquela forma do que como estás agora…Certo que eu me inomodava em saber que estava casado com uma locomotiva. Mas eu sabia que você estava feliz. Você reerguia toda a nossa família”
Ontem, eu entreguei parte dos trabalhos relacionados à foto acima. Ainda bem que uma das 4 mulheres está de férias(semester) e só volta em uma semana.
O que meu marido nao sabe é que eu sou humana. Tenho as minhas fragilidades e nao sou pedra a vida inteira.Nao posso dar guarida aos outros, o tempo inteiro. Eu também preciso parar para chorar. Mesmo que eu saiba que tenho que buscar forcas para dar alegrias e esperancas por que esta é uma das minhas missoes.
O que tem alegrado meus dias é saber que dia 26 de maio, Allan chega à Suécia para ficar um mês. Isso tem me alegrado, me feito sair da cama, ver o ar frio da escuridao. E ver brotar na terra branca coberta de neve, a esperanca que sempre foi presente em mim.
NAO TENHO VISITADO NINGUÉM. POR QUE SINTO-ME VAZIA. SE EU BUSCO PALAVRAS PARA MIM MESMA E NAO ENCONTRO, COMO VOU PODER SAIR PELA BLOGOSFERA A COMENTAR? PERDAO EU PECO. MAS EU NAO POSSO FINGIR QUE ESTÁ TUDO BEM. NAO ESTÁ POR QUE MINHA CONFUSAO MENTAL NAO ME DEIXA ENTENDER TEXTO ALGUM. PRECISO REFAZER EXAMES PARA SABER SE tem algo anormal na área cerebral. EU VOU DORMIR BEM. Mas quando acordo vejo as coisas cinzentas, nao lembro de muita coisa…
Tenho que me animar por que mês que vem tenho um WORKSHOP de fotografia em Estocolmo, curso de estúdio com Robert Halmmar e de objetos flutuantes em SPLASH. Sem contar que isso incomoda demais. Sei que contagio por onde passo. No entanto, eu me sinto hoje, um farol apagado…
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