






Todo mês de junho é celebrado por aqui, o Carnaval. Na verdade, temos festivais sem fim. Regados à música, humor, rodas gigantes, macas do amor.Temos, realmente, a vida em todo seu esplendor de cores, luzes e gestos. A sociedade sueca sai para as ruas, os picnics acontecem nos jardins, pracas e o terrível inverno ficou para trás.
As flores brotam no verao como se ainda fosse primavera.
O carnaval desse ano se deu no penúltimo dia do Festival, sexta-feira. Por aqui, eles chamam de SAMBAPARADE, o que se dá em apenas meia hora.
O desfile se concentrou em frente ao Forex, no centro da cidade, desfilou por 4 ruas e terminou em frente ao MUSEU CENTRAL DA CIDADE. Nao vi mulheres nuas. Vi mulheres irradiando alegria, mesmo que o samba nao fosse o que, nós, brasileiros, costumamos ver. A bateria, em azul e branco, veio de Estocolmo. E lá, tinha muitos brasileiros. Eu me aproximei de uma mulata e perguntei: ” Är du brazilianska?”(você é brasileira?), o que ela me respondeu com o sorriso resplandescente: ” Nej, Jag är afrikanska. Fråm Grambia.”(Nao, eu sou africana. Do Gâmbia).
A menina, cujo corpo escultural, muito similar ao corpo de nossas mulatas, nao nasceu no Brasil. Nasceu na Suécia, filha de pais que fugiram da guerra da Ethiópia.

A baiana, brasileira, vivendo há 12 anos em Estocolmo, veio de Roraima, no extremo norte brasileiro(primeira lado direito).

E eis que, no meio do desfile, surge um sueco, vestido de mulher, com uma fralda e uma camisinha amarrada na frente. Surgiu como um relâmpago. Ele fazia parte do SVENSEXA( a despedida de solteiro sueca). Ele, casou no sábado e teve como desafio, antes do enlace matrimonial, sair dessa forma no Carnaval da Cidade.

Os fotógrafos fizeram a festa.
Mas algo eu percebi…a cor das meninas…Um moreno bronzeado.

E até o celular deu provas de que está em toda a parte…

Mesmo com toda alegria pairando no ar, nao foi difícil flagrar um olhar meio perdido no tempo….(foto acima)
Pena que a vida da gente nao é APENAS FESTA. E temos que viver as Quartas-Feiras de Cinzas. A minha vida sempre foi assim. De eternas despedidas. Meu filho embarcou hoje, de volta ao Brasil. Deixou-me para trás. E levou com ele, a certeza: NAO PRECISAMOS GERAR UMA CRIANCA PARA NOS SENTIRMOS MAE DELAS. Eu sinto como se Allan tivesse sido gerado nas minhas entranhas. E nove meses depois tivesse vindo ao Mundo, à base das dores de um parto que para mim, ACONTECEU.

ÁLLAMO, ALLANA e ALLAN: Eles me ensinam, diariamente, a ser mais tolerante. A entender melhor o ser humano. E quando eu partir dessa vida, terei a certeza de que eu poderia ter feito mais por eles. Por que eles…ah! eles…Eles fizeram tanto por mim…Mais do que eles possam imaginar…Meus filhos foram um divisor de águas na minha vida. Eles conseguiram milagres inimagináveis: o perdao a pessoas que causaram feridas profundas em mim.
O cantor de camisa branca é Måns Zelmerlöw que canta a música “Hope & Glory” e foi um dos finalistas do Melodifestivalen 2009 .



















Livro: 
by Grace Olsson
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